terça-feira, 31 de dezembro de 2013

[Resenha] Estação de Trânsito - Clifford Simak

- Um Bucólico Espacial de Simak -
Por Ricardo Guilherme dos Santos
(Resenha incluída na edição nº 108 do fanzine Somnium)

Way Station (1963), ganhador do Prêmio Hugo em 1964, até onde sei nunca foi editado no Brasil. Em Portugal, recebeu tradução de Gilberto Almeida e foi publicado pela Argonauta (volume nº 130-A), aparecendo depois como o título nº 200 da Coleção Vampiro, em edição dupla com o romance policial O Caso da Vela Torcida, de Perry Mason. De Clifford Simak, eu havia lido apenas Boneca do Destino e, em seguida, Cidade. Gostei muito do primeiro livro, mas a paixão pela escrita de Simak surgiu com intensidade a partir da leitura do segundo. Cidade fez com que em me interessasse muito pela obra do autor. Pesquisei na internet e descobri que a coleção Argonauta publicou vários de seus romances. Também fiquei sabendo que, na opinião de muitos, Way Station disputa com City o título de obra mais relevante deste escritor.

Após muito procurar, consegui adquirir um exemplar da publicação feita pela Coleção Vampiro. Dizem, aliás, que o volume 130-A da Argonauta é muito mais raro, quase uma lenda, e que quem o possui teria uma verdadeira preciosidade em sua biblioteca. Hoje sou mais um dos que pensam assim. Seja pela raridade, seja pela qualidade da obra, Estação de Trânsito é, de fato, uma preciosidade literária.

Enoch Wallace era um veterano da Guerra de Secessão norte-americana, que passou a morar sozinho após a morte dos pais. Em determinado dia, ainda jovem (tinha cerca de trinta anos de idade), recebeu uma insólita visita em sua fazenda. O forasteiro tinha uma aparência incomum, de uma estranheza que chegou ao ápice no momento em que a roupagem humana da criatura começou a ser descortinada. O rosto do ser abriu-se, revelando uma face alienígena que causou espanto aos olhos de Enoch. A criatura, no entanto, era amigável e conseguia falar o idioma nativo com alguma clareza, tornando possível a comunicação entre ambos. Seu nome era impronunciável, por esta razão Enoch lhe pediu permissão para chamá-lo de Ulysses, explicando-lhe a origem do nome. O alienígena gostou do que ouviu e assentiu em ser assim chamado.

Ulysses, porém, não viera apenas para uma mera visita. Ele trazia uma inusitada proposta da Central Galáctica, entidade para a qual trabalhava. Os responsáveis por ela pretendiam transformar a casa de Enoch em uma espécie de estação de trânsito, por intermédio da qual habitantes dos planetas civilizados da Via Láctea transitariam durante suas viagens pelas estrelas. O lar de Enoch seria equipado com todo o aparato tecnológico necessário para receber e despachar os viajantes, servindo como escala nestas jornadas. Enoch, por sua vez, seria o encarregado desta estação de trânsito sui generis.

Passado o susto inicial, a proposta foi aceita e o alienígena Ulysses, com o tempo, tornou-se seu amigo.

Enoch passou a manter um diário detalhado sobre cada evento por ele presenciado, discorrendo sobre as visitas recebidas, suas impressões acerca dos visitantes e o que eles contavam sobre as particularidades de seus planetas de origem. Dentro da estação, ele não envelhecia nem sequer um minuto, o que lhe causou um problema: com o correr das décadas, sua eterna juventude passou a ser objeto de estranheza pelos moradores das propriedades vizinhas, obrigando-o a se tornar cada vez mais recluso. Ainda assim, a fama do homem que passara dos cem anos de idade mantendo a aparência de um jovem acabou chegando até entidades governamentais, despertando a curiosidade do Serviço Secreto, em especial do agente Claude Lewis. A partir de então, Enoch passou a ser vigiado.

Neste ponto, creio ser importante fazer um alerta aos que leem este texto: ele revela diversos detalhes da trama que alguns leitores podem preferir não conhecer. Sugiro, portanto, que leiam o restante apenas se não se importarem com o excesso de revelações.

A solidão de Enoch, intensa, emociona o leitor. Como responsável por uma estação de trânsito galáctica, ele recebia muitos passageiros, os mais diversos e inimagináveis seres alienígenas, porém eram quase sempre visitas rápidas. Além disso, a dificuldade de interação entre as espécies era muito grande. Enoch pouco saía da estação. Fazia apenas um pequeno passeio diário e ia até a agência de correios local para retirar os periódicos que assinava, como única forma de se manter informado sobre o que acontecia em nosso mundo. Winslowe, o carteiro, tornou-se um de seus poucos amigos, o único ser humano com quem conversava com habitualidade. A outra humana com a qual mantinha contato era Lucy Fisher, a filha surda-muda do fazendeiro vizinho. Enoch e Lucy entendiam-se graças a uma afinidade silenciosa. Havia uma ligação especial entre eles. Comunicavam-se pela troca de olhares, às vezes quase por telepatia. Dentre os amigos alienígenas, além de Ulysses, merecem destaque os representantes de uma espécie que ele chamava de Hazers, seres extremamente amigáveis que projetavam uma aura colorida à sua volta, emitindo energias de pacificidade e amizade.

Lucy Fisher parecia ter poderes que excediam a compreensão humana. Foi capaz de curar uma borboleta que tinha uma asa partida, sem lançar mão de qualquer medicamento ou procedimento específico. Para realizar tal proeza, usou apenas uma espécie de energia espiritual (pelo que fica subentendido, sua pureza). Ela também foi capaz de colocar em funcionamento um misterioso aparato alienígena, uma pirâmide formada pela junção de diversas esferas coloridas e cintilantes, presente que Enoch ganhara há muitos anos e que jamais imaginara qual seria sua utilidade. Era, porém, a bondade de Lucy, assim como sua conexão com a Natureza, que a faziam tão especial. A garota parecia estar sempre em contato com algo sublime.

“Lucy era um ser dos bosques e das colinas, da flor da Primavera e do voo dos pássaros no Outono. Conhecia estas coisas, vivia com elas, e era, de um modo algo pessoal, uma parte específica delas. Era alguém que habitava à parte um velho e perdido compartimento do mundo natural. Ocupava um lugar que o Homem de há muito abandonara, se é que, de facto, algum vez lhe pertenceu.” (página 44)

Durante a obra, fica clara a preocupação de Simak com o futuro da humanidade e com a questão da espiritualidade. Ele questiona a razão de estarmos aqui e parece espelhar nas preocupações de Enoch suas próprias inquietudes. Quando Enoch reflete – e esta obra é essencialmente reflexiva – acredito ser Simak que está refletindo e manifestando suas preocupações e pesadelos. Em determinado momento, ele discorre sobre um complexo mecanismo conhecido como Talismã, por intermédio do qual seria possível realizar contatos com a força espiritual que governaria a galáxia. Parece-me – não estou certo – que o autor desenvolveu o assunto mais profundamente em outra(s) obra(s). Há um livro de sua autoria, inclusive, chamado A Irmandade do Talismã, publicado pela Argonauta na edição nº 294. Este engenho ainda voltaria a ser assunto na parte final da trama, cujo desfecho não convém revelar, pois isto macularia ao menos parcialmente o prazer da leitura.

“Ele sentiu que estremeceu ao pensar nisso – o puro arrebatamento de tocar a espiritualidade que inundava a galáxia e, sem dúvida alguma, o Universo. Isso seria uma garantia, pensou, uma garantia de que a vida ocupava um lugar especial no grande esquema da existência, de que qualquer pessoa, por muito pequena, fraca, ou insignificante que fosse, podia mesmo assim contar para alguma coisa na imensidão do espaço e do tempo.” (página 83)

A solidão fez com que Enoch criasse amigos imaginários, espécies de hologramas fabricados com tecnologia das estrelas, mas que pareciam feitos de carne e osso. Dentre estes, merece destaque Mary, uma espécie de mulher ideal para o protagonista, uma junção de Lucy com uma bela garota que Enoch conhecera apenas de relance nos tempos em que era soldado. E então o inevitável acontece: Enoch apaixona-se por sua Monalisa. A boa surpresa é que seu amor é correspondido. Entretanto, o relacionamento entre o ser real e a criatura imaginária (mas que se sentia plenamente viva) chegou a um ponto de inevitável ruptura. Simak discorreu com maestria sobre toda a carga emocional que o fim do relacionamento causou.

“Mary nunca mais voltaria, nem ele tornaria a chamá-la, ainda que pudesse, e tanto o seu mundo irreal como o seu irreal amor, o único amor que já verdadeiramente tivera, desapareceriam para sempre.” (página 89)

Por várias décadas, a rotina de Enoch como administrador/encarregado da estação pouco se alterou, porém seus aprendizados foram imensuráveis. Dentre os fatos marcantes, o falecimento de um Hazer dentro da estação. Seguindo orientações da Central Galáctica, Enoch adotou um procedimento padrão da Terra no caso de óbitos, enterrando o viajante em sua propriedade, com todas as honras, ao lado dos corpos de seus pais. Anos depois, todavia, o investigador Claude Lewis desenterrou o corpo do alienígena, subtraindo-o, atitude que deu início a uma discórdia entre as espécies que compunham a Central Galáctica, um desentendimento de grandes proporções que poderia por fim não apenas à única estação de trânsito da Terra, mas também, para desespero de Enoch e Ulysses, a todo o projeto de expansão das estações no braço espiral da galáxia. Neste ponto, cumpre observar que a obra foi escrita entre fins dos anos 1950 e início da década de 1960, época na qual começava a se desvendar a existência de braços espirais na Via Láctea. Provavelmente, Simak referia-se à ramificação de Órion.

Simak parece ter escrito a obra sob uma forte influência dos horrores da Segunda Guerra Mundial e do ambiente tenso da Guerra Fria. O personagem principal – um veterano da Guerra Civil norte-americana, como mencionado no início deste texto – em dado momento viu-se diante da iminência de outro conflito, de proporções mundiais e potencialmente muito mais danoso do que aquele do qual participara. Utilizando um complexo mecanismo estatístico criado por especialistas alienígenas, Enoch descobriu que a Terra estava a caminho de um devastador conflito mundial. Foi inevitável que recordasse seus distantes tempos de soldado – os quatro anos durante os quais teve de matar para não ser morto – e refletisse sobre a insensatez da espécie humana.

“Compreendera nesse momento a loucura da guerra, o gesto fútil que a dada altura deixou de ter significado, a ira impensada que deve ser alimentada para além do incidente que a originou, a crença ilógica de que um homem só, pela morte ou pelo sofrimento, podia justificar um direito ou sustentar um princípio.
Algures, pensou, no longo retrocesso pela história, a raça humana tinha aceitado uma demência por princípio e tinha persistido nela [...].” (páginas 162-163)

Diante deste cenário, em conversa com o amigo Ulysses, Enoch descobriu que, como membro da Central Galáctica há tantos anos, poderia falar em nome da Terra, solicitando ajuda àquela entidade para que a guerra que vislumbrou não acontecesse. Segundo Ulysses, Enoch tinha chances de ter o seu pedido atendido, porém o preço a ser pago pelo “tratamento” – por toda a espécie humana – seria alto: uma regressão intelectual, com a perda da habilidade de compreender e manejar tecnologias avançadas. Com isto, o ser humano tornar-se-ia incapaz de produzir instrumentos potencialmente devastadores para o planeta, mas também os aparatos tecnológicos pacíficos. Ainda poderia haver guerras, porém com a utilização de armas menos destrutivas.

Enoch passou a refletir sobre a enorme responsabilidade que lhe competia: decidir se devia ou não pedir a ajuda da Central Galáctica e, assim, optar pela provável guerra mundial ou por um processo de regressão intelectual do ser humano, como tratamento para nossa belicosidade. Começou a pensar em todo o conhecimento que acumulara nos contatos com as criaturas das estrelas, saberes que jamais pudera ou poderia vir a compartilhar com os demais membros de sua espécie. Enoch pensou nos livros, artefatos e conhecimentos médicos de origem extraterrestre, em especial numa caixa que ganhara e que continha substâncias capazes de curar todos os males. O processo de crise psicológica do protagonista foi descrito com profundidade, revelando-se um mergulho na psique de Enoch. Simak conseguia descrever muito bem a imensa crise de consciência que aquele dilema levou-o a enfrentar.

“Poderia um homem decidir, por comparação, se a guerra seria pior que a estupidez, ou vice-versa? A resposta parecia ser que não. Não havia processo de medir a possível catástrofe em qualquer das circunstâncias.” (página 155)

São estes dois fatos que conduzem ao clímax na parte final da obra: a possibilidade de desativação da estação de trânsito terrestre, com abandono do projeto de expansão destas vias galácticas, e a terceira guerra mundial, que, segundo previsões estatísticas infalíveis, se avizinhava da Terra. Cerca de cem anos tinham decorrido desde que Enoch iniciara aquele trabalho e, ao refletir sobre tudo o que vivenciara, ele questionou que espécie de criatura teria sido ele durante estes cem anos de solidão. Ao mesmo tempo em que procurava recuperar o corpo do alienígena, como forma de minorar as consequências do incidente intergaláctico, uma revolta contra ele era arquitetada pelo pai de Lucy, sob a falsa acusação de rapto da jovem. A vida de Enoch começou a correr risco.
Estação de Trânsito é um romance campestre, com belíssimas descrições que lembram o bucolismo. A casinha em meio à natureza, com poucos vizinhos, os hábitos simples... Você quase pode sentir a terra sob seus pés e o aroma das flores do campo. E, no entanto, é um romance de ficção científica, que envolve uma quantidade incontável de espécies alienígenas (com todas as suas características físicas e psicológicas peculiares), tecnologias avançadíssimas e conflitos de proporções galácticas. Este romance pode parecer uma incongruência em si mesmo, mas não é. Antes, é uma bem sucedida junção do heterogêneo em uma obra escrita com qualidade literária difícil de ser igualada. Simak consegue fazer com que o clima rural de uma velha casa de campo nos pareça o cenário perfeito para que Enoch contracene com o futurismo [muito] controverso das viagens acima da velocidade da luz. A ideia que serviu de premissa inicial ao texto – a existência de uma estação de passagem, uma “escala” para viajantes da galáxia – é original e muito imaginativa. A residência de Enoch transforma-se numa espécie de ponto de encontro, um local propício para se celebrar amizades com seres de outros mundos. Os diálogos mantidos entre o protagonista e estas criaturas – tanto as reais quanto as imaginárias – são bem elaborados, o que aumenta o prazer da leitura. Não conheço outro livro com tal premissa e, se algum escritor no futuro se basear em proposta semelhante, não creio que seja capaz de desenvolver o texto com o mesmo brilhantismo de Clifford Simak.

E as qualidades de Estação de Trânsito não param por aí. Trata-se de obra que evita o banal expediente das cenas de violência, podendo ser indicada (apesar de tratar de temas adultos) até para leitores mais jovens. Embora Enoch tenha uma espingarda como companheira quase inseparável, habitualmente só a colocava em funcionamento durante simulações de caça a seres irreais (note-se: a obra foi escrita há pelo menos cinquenta anos e seu autor já previa o uso de realidades virtuais como forma de entretenimento), que realizava no subterrâneo de sua casa-estação. Na verdade, como já frisado nesta resenha, o personagem principal praticamente não saía da estação que administrava. Este panorama pode parecer tedioso para muitos leitores, porém o romance ganha uma força incomensurável graças à capacidade de cativar existente tanto na escrita de Simak quanto na personalidade do protagonista. Enoch é um administrador diligente, que leva muito a sério suas responsabilidades e tem imenso prazer em receber os passageiros galácticos, estudando seus comportamentos, suas fisiologias, e imaginando como deveriam ser belos, sob as mais diferentes óticas, os planetas de onde se originavam. É um observador do outro, um estudioso do diferente, um contemplador da diversidade da Criação.

Com suas reflexões, Enoch nos conduz a também meditar. Sinto-me à vontade para dizer que Estação de Trânsito é a ficção científica mais reflexiva a que já tive acesso. Em momento algum a adrenalina é usada como um ingrediente da obra. São poucas as cenas de ação. Elas surgem apenas ao se aproximar o final da trama, onde há momentos de tensão, com situações criadas por explosões de sentimentos, mas que culminam em pacificidade e, sobretudo, em aprendizado. Todo este cenário – vale frisar – foi conduzido com muita maturidade pelo autor. Simak fez questão de dar primazia à profundidade dos sentimentos e reflexões, mesmo quando seus personagens se viram diante de situações de confronto físico. Nada de violência gratuita.

Estação de Trânsito cativa com naturalidade; agrada sem precisar utilizar qualquer artifício. É uma viagem por toda a galáxia e também ao interior de diversas criaturas, sobretudo do atormentado Enoch, sem que para isso seja necessário sair de dentro de sua propriedade no campo. Some-se a isso a escrita rica de Simak – quase poética, a exemplo da de Bradbury – e a criatividade sem limites do autor. Uma obra fascinante.

“Era verdade, pensou Enoch. Assim acontecia com o Homem; fora sempre assim. Trouxera o terror dentro de si; e a razão do seu medo fora, sempre, ele mesmo.” (página 209)

Ao final da leitura, fica difícil entender porque Estação de Trânsito não ganha novas edições em língua portuguesa.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Somnium 107 no ar!

Apresento a vocês a edição nº 107 do fanzine Somnium, publicação oficial do Clube de Leitores de Ficção Científica (CLFC). 



Esta é a primeira edição que está sob minha responsabilidade. Ela contém uma entrevista concedida por Richard Diegues ao presidente do CLFC Clinton Davisson, além de contos de A. Z. Cordenonsi, B. B. Jenitez, Alexandre Santos Lobão, Adrianna Alberti e Ronald Rahal. 

A Somnium 107 traz também quatro resenhas, escritas por Sid Castro, Washington Silva, Ricardo França e João Beraldo, respectivamente, para as obras O Alienado (Cirilo S. Lemos), Metanfetaedro (Alliah), Reis de Todos Os Mundos Possíveis (Octávio Aragão) e Paradigmas Definitivos (vários autores).

No final, uma homenagem de Álvaro Domingues à Tarja Editorial, que recentemente encerrou suas atividades.

A ilustração da capa é de Jano Vesina Janov.

Eis o link para divulgação: http://clfc.com.br/somnium/somnium-107-no-ar/

Disponível nos seguintes formatos: 
Espero que apreciem. E solicito que ajudem na divulgação!


domingo, 22 de dezembro de 2013

Nazareth: bruxa solta em 2013 e esperança de retorno em 2014

Em meados deste ano, os problemas de saúde do vocalista Dan McCafferty chegaram ao ponto de o impedirem de continuar na estrada. A notícia de sua aposentadoria dos palcos veio em agosto e caiu como uma bomba sobre o NAZARETH e seus fãs.

Pete Agnew, último remanescente da formação original, convidou Billy Rankin, ex-guitarrista da banda durante dois períodos, para substituir Dan nos vocais. Billy agradeceu, mas não se considerou apto a assumir o cargo.

Poucos sabem, mas o calvário do NAZARETH não terminou aí. Em outubro, uma informação não oficial surgiu no fórum do veterano quarteto escocês: Pete também teria adoecido e estaria hospitalizado na ocasião. Não houve uma confirmação oficial, mas um comunicado divulgado dias depois no site do grupo deixava claro que algo estava acontecendo. Ele diz, em essência, que, à luz dos recentes acontecimentos, a banda decidira cancelar toda sua agenda de 2013. O mesmo comunicado, no entanto, indica a existência de luzes no final do túnel: a confirmação de que o NAZARETH lançará um álbum de inéditas em 2014, ainda com os vocais de Dan, e a informação de que a banda pretende voltar à turnê no próximo ano, com um novo vocalista, cujo nome ainda não foi divulgado (embora, segundo rumores, já tenho sido escolhido).

Fica a expectativa dos fãs acerca da continuidade do NAZARETH em 2014. E, em especial, fica o desejo de que seus ídolos, aposentados ou não, tenham um ano de saúde plena. Porque, em 2013, não há dúvidas de que a bruxa esteve solta na banda...
Muita força para os Heróis de Dunfermline!

E dos fãs! :)

sábado, 23 de novembro de 2013

Histórias de Mulheres - Miguel Carqueija

Especialista em elaborar tramas com protagonistas femininas, em Histórias de Mulheres o experiente autor Miguel Carqueija nos traz três textos centralizados em dramas e superações de algumas de suas heroínas.

O primeiro deles – Destinos Divergentes – é o mais longo dos três e está ambientado no distante século XXXV. Trata-se do início da saga A Odisseia da Fênix, uma aventura espacial com nuances político-ideológicas, mescladas com ficção científica hard, mas cujo argumento principal é o conflituoso relacionamento entre a Fênix (Lina Wells) e sua filha adolescente Ginger. Em meio a uma jornada espacial perigosa, num ambiente de batalhas contra a Dinastia Imperial, Lina procura encontrar uma linguagem que a reaproxime da rebelde Ginger. A história ganha ares de fantasia quando a adolescente embarca no Virtuon e acaba sendo levada para uma espécie de dimensão paralela, onde acaba se apaixonando por um elfo.

O cenário acima traçado pode parecer por demais heterogêneo, porém Miguel costura com maestria a trama, descrevendo de maneira bastante eficaz não apenas os ambientes e conflitos, mas sobretudo os sentimentos das personagens principais, foco principal da trama. Sem dúvida, no íntimo trata-se de uma história de amor, que mostra a força deste sentimento mesmo quando confrontado com as mais intensas (e aparentemente insolúveis) divergências de opiniões.

O Senhor da Árvore Oca nos apresenta uma história na qual as personagens partem à procura de suas próprias identidades. Duas garotas desgarradas de suas famílias veem seus destinos se encontrarem num ambiente desértico e em um momento crucial na vida de uma delas. É a partir daí que seus caminhos se unem e elas seguem juntas à procura do sábio Senhor da Árvore Oca, o homem com respostas para todas as perguntas – o conselheiro ideal para iluminar os caminhos de suas atribuladas juventudes. O que encontrarão talvez não seja exatamente o que procuravam, mas por certo poderá ser aquilo que necessitavam conquistar.

Os Senhores do Fogo é o menor dos três textos, porém não menos agradável que os seus antecessores. Também é uma jornada de busca interior e conta a trajetória de uma Cavaleira Livre, uma jovem oriental que decide ir ao encontro dos temidos Senhores do Fogo, com a ousada intenção de exigir deles que dividam com todos os povos os segredos do fogo corpuscular, permitindo-lhes partilhar dos benefícios das luzes elétricas. Ao chegar no Castelo Azul, todavia, a Cavaleira percebe que sua missão pode não mais ser necessária. Ou talvez ainda haja a necessidade, porém outra seja a missão a ela reservada.

Histórias de Mulheres é mais uma obra com a inconfundível assinatura de Carqueija. Três textos que mesclam diversos elementos do fantástico, com cenários e emoções bem descritos. E – o mais importante – centrados na garra e no caráter de suas protagonistas, verdadeiras fortalezas cuja essência, sem dúvida, Miguel sabe como poucos identificar nas mulheres do mundo real.


O melhor de tudo: a obra está disponível para leitura gratuita em versão e-book no Recanto das Letras: http://www.recantodasletras.com.br/e-livros/4513418

sábado, 28 de setembro de 2013

[DIVULGAÇÃO] "As Aventuras de Honey Bel", de Miguel Carqueija

O que você diria de uma agente secreta que nada sabe sobre o assunto, que é desastrada e assumidamente biruta? Que se tornou agente secreta por acaso? Poderia dar certo de alguma forma?

Bem. Talvez, se o nome dela for Honey Bel (o sino doce) e se possuir um truque secreto do qual só ela tem conhecimento e somente ela sabe utilizar.

Estamos falando de “As aventuras de Honey Bel”, a nova novela de ficção científica de Miguel Carqueija, autor de “A face oculta da Galáxia”, “A Esfinge Negra”, “O fantasma do apito”, “Neblina e a Ninja”, “Farei meu destino”, “Tempo das caçadoras”, “As portas do magma” (co-autor Jorge Luiz Calife), “Horizonte sombrio”, “A cidade do terror” e outras novelas e romances de ficção científica, terror, mistério e fantasia, inclusive o recente lançamento “O estigma do feiticeiro negro” (co-autora Melanie Evarino).

Este é, provavelmente, o trabalho em que o humor – marca registrada de Miguel Carqueija – atinge o seu clímax nas obras deste autor. Veja como Honey Bel, uma jovenzinha pobre, faminta, friorenta, hiper-romântica e com a cabeça nas nuvens, se vê no centro de uma complicada teia que envolve a Cosmopol e um roubo audacioso. Numa trama passada num mundo colonial e no distante futuro, veremos como Honey lida com uma situação perigosa e para a qual aparentemente não se encontra preparada; uma situação que poderá levá-la à glória ou à cadeia.

Mas o grande sonho de Honey Bel não é a glória, o sucesso ou o dinheiro; acima de tudo encontra-se a sua determinação de entrar na posse definitiva de um Príncipe Encantado, queira ele ou não.

“As aventuras de Honey Bel” tem como reforços o prefácio de Francisco Martellini e o posfácio de Ricardo Guilherme dos Santos.

Lendo esta novela, você saberá até onde vão a doce birutice e o atrevimento de Honey Bel.

É ler para crer.

(Sinopse para divulgação da obra, escrita pelo autor Miguel Carqueija)

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Selecionados para a antologia de FC Solarium 3, da Editora Multifoco


Divulgados os textos selecionados para o terceiro volume de uma das mais tradicionais publicações brasileiras de Ficção Científica. Trata-se da antologia Solarium 3, a ser lançada pela Editora Multifoco, por intermédio do selo Anthology. O término do processo seletivo e os contos escolhidos pelos organizadores Frodo Oliveira e Heloísa Johansson foram divulgados na página da Anthology no Facebook.

O lançamento da Solarium 3 está previsto para o dia 16 de novembro.

Confiram a lista dos autores selecionados (em ordem alfabética), com seus respectivos contos:

Aldo Costa - Amnésia moral
Anderson Dias Cardoso - O profeta de aço
Andrei Miterhofer Cutini - Olho de Cronos
Bruno Eleres - Explorando Taren-Was
Cesar Bravo - Água fria, coração gelado
Cristiano Gonçalves - Contato Secreto 
Daniel Dutra - Sabine
Davi M Gonzales - Expansão
David Machado Santos Filho - O Agricultor 
Demetrios Miculis - Vou voltar para o meu céu
Edgard Santos - Meu Grande Amor do Passado
Eduardo Alvarez - Apophis, a personificação do caos
Emerson D. e Pimenta - Então Sally pode esperar
Fabiana Guaranho - Sem razão ou não
Fabio Baptista - Titã 
Fernando Aires - Heróis
Giovani Santos - 3005 Planeta sem flores
Gutemberg Fernandes - Teorias de outro mundo
Helil de Oliveira Neves - Testamento de um Contemporâneo Sísifo 
Ítalo Andreson - O Fim de um dos Mundos
Jowilton Amaral da Costa - O Planeta X 
Lucas Felix dos Santos - Viajantes
Osame Kinouchi - Projeto Mulah de Tróia XXVIII 
Patrick Brock - Ogum S/A
Ricardo Guilherme dos Santos -  
Sheila Schildt - A Porta
Thiago B. Lucarini - Super-Nova
Vinícius Cardoso - Edifício Dove

A literária de ficção científica está cada vez mais viva no Brasil. E eu estou muito feliz por integrar o seleto grupo de autores que participam da série Solarium!

sábado, 3 de agosto de 2013

O Cântico do Súcubo (Georgette Silen ; Buriti Editora)

O jovem Frei Giacomo (Willian) está em peregrinação pela região sul da Itália. Em uma noite quente de verão, ele segue pela Via Trajana, que liga Barlavento a Brindisi, rumo ao mosteiro das Sagradas Chagas de Assis. Naquele local, ele pretende reencontrar o mestre Malthus e continuar sua trajetória como servo do Senhor.
(Crédito: Il paesaggio di mare, por Lo Spazio di Mauri, no Flickr)

O cansaço o castigava, o joelho ferido doía e o sono queria apoderar-se de seu corpo. Entretanto, o frade teimava em seguir adiante. Uma música estranha, sedutora, passou a assombrar seus ouvidos e o conduziu até um templo pagão. E é ali que se inicia uma épica contenda entre o pudor e a luxúria, o celibato e o desejo de saciar as tentações da carne!

Olhos cor de violeta o enfeitiçaram. Giacomo lutava para não sucumbir à tentação de ser dominado por uma fêmea invisível, mas que podia ser sentida, à plenitude, a cada movimento sensual de seu corpo. O toque doce e gelado da criatura era um convite ao êxtase sexual, uma delícia que despertava todos os desejos que ele julgava estar preparado para resistir.

Este deleite, todavia, tinha origem malévola. E pretendia cobrar caro de Willian cada instante de luxúria.

E não apenas dele...

A história que anima a novela O Cântico do Súcubo, de per si, é mais do que suficiente para despertar a atenção (e os sentidos) dos admiradores de literatura fantástica. Agora, some a ela o inquestionável talento de Georgette Silen em escrever de uma forma atraente, leve e habilidosa. Pronto: você está diante de um livro pequeno, mas intenso (MUITO intenso), que irá lhe arrebatar do princípio ao fim!

O primeiro texto que li da autora foi o conto Terceiro Reinado, publicado na obra SteamPink, uma publicação da Editora Estronho. Desde então, fiquei apaixonado pela escrita fluída e a maneira cativante que ela utiliza para contar suas histórias. As palavras escolhidas são sempre as mais adequadas para cada cena, o que possibilita ao leitor sentir-se mais próximo da trama, a ponto de acreditar que pode estar vivenciando os acontecimentos. É realmente muito prazeroso ler suas obras.
(Crédito: Foto Studio São José)

Uma batalha entre a castidade e a devassidão... Quem vencerá?

E eu lhe pergunto: para quem você irá torcer?

Abraça-me... Ama-me...

Uma novela deliciosamente sensual!



O Cântico do Súcubo / Georgette Silen

Buriti Editora, 2013

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Um Estranho Numa Terra Estranha (Robert Heinlein)

(Um Estranho Numa Terra Estranha, de Robert Heinlein: um romance para ser grokkado!)

É uma pena, mas há vários anos este livro não ganha um reedição no Brasil. Foi escrito há algumas décadas por um dos ícones da literatura de Ficção Científica - o mestre Robert Heinlein -, mais conhecido da atual geração pelo livro Tropas Estelares, que tem ganhado versões cinematográficas e animações. Embora antiga, esta obra traz uma mensagem que permanece vigorosa e atual.

Valentine Michael Smith, o personagem principal, é humano como nós, mas foi criado por marcianos. Quando é trazido para a Terra, tinha por volta de vinte anos de idade. Toda sua formação (ética, moral, filosófica, religiosa, etc etc) foi baseada nos ensinamentos dos anciãos de Marte. O choque cultural é muito grande. E é justamente a partir deste choque que Robert Heinlein constrói uma história majestosa, que conta com outros personagens marcantes, dentre eles o veterano terráqueo Jubal.

A imagem que está aí em cima por certo parecerá muito estranha para aqueles que ainda não tiveram o prazer de ler Um Estranho Numa Terra Estranha. Para estes, melhor do que qualquer resenha, vale a dica: leiam este livro. É claro, você não o encontrará em livrarias atualmente, mas o achará em alguns sebos. Uma boa dica é pesquisar no site www.estantevirtual.com.br .

Há muito mais para se contar do livro. Muito, muito mais. Temo, porém, que a imagem acima já seja mais do que um spoiler

Então, é melhor parar por aqui.



quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Miguel Carqueija - A Face Oculta da Galáxia



Joana Pimentel, cujo codinome de mercenária é Vésper, trabalha como freelancer para a seção brasileira da Cosmopol – um ente estatal responsável pela execução do Serviço Secreto da Federação planetária.

         Ao chegar aos quarenta anos de idade, com os filhos crescidos e o marido – também um agente mercenário – morto no exercício de uma missão, tudo que ela quer é uma aposentadoria daquele trabalho violento para passar a se dedicar a outras atividades.

         Entretanto, o Estado a procura novamente, recrutando-a para uma missão de extrema importância, que não poderia de forma alguma ser recusada: alguma coisa muito grave acontecera no planeta Sombrio, situado nos confins da galáxia conhecida. Joana não recebe detalhes sobre o ocorrido; porém, ao que parecia, um importante artefato havia sido perdido. A Federação precisaria agir o mais rápido possível e por esta razão estava convocando seus melhores agentes.

         Contrariada, mas vencida pelo argumento de que todo o Universo corria perigo, Vésper aceita o encargo. Na equipe que é formada, merece destaque a matadora Valentina, uma mistura de vilã e heroína, que causará muitos transtornos para a protagonista. Mas nem só de percalços será constituída esta missão: Joana (Vésper) terá também a oportunidade de se reencontrar com nobres sentimentos, um tanto esquecidos nos últimos anos.

         No caminho para Sombrio, a equipe irá se deparar com duas outras facções, que também estavam em busca do mesmo artefato. É a partir daí que se inicia uma grande e bem delineada aventura espacial.

         A Face Oculta da Galáxia é um livro com foco marcante na ação e espionagem, com muitas cenas de batalhas no espaço, mas não esquece o lado científico do romance: as tecnologias são adequadamente explicadas, o que deixa patente que a obra traz em seu bojo uma faceta de ficção científica hard, sempre bem recebida pelos fãs do gênero.

         Enfim, um livro que, a exemplo de outras obras de Carqueija, não se limita a um único estilo literário, sabendo dosar ficção científica, espionagem, (muita) ação e aventura espacial. Uma leitura rápida, de tão prazerosa.

         A Face Oculta da Galáxia tem prefácio de Jorge Luiz Calife e pode ser lido em formato e-book no site Casa da Cultura .

         Recomendadíssimo!