segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Criatura da Noite (*)

Criatura da noite, doce e ardilosa,
Assusta e atrai, acalma e atiça
Corpo delgado, lábios de carmim
Em disfarce de gueixa, pura e formosa
Conquista e apraz, encanta e enfeitiça
Curvas perfeitas, caninos de marfim

Olhos que brilham, no escuro da noite
Atraem a presa, iluminam o luar
Doce perfume prenuncia o açoite
Incenso felino que paira no ar

Mãos delicadas, pequena cintura
Quadris que se movem, convidam a dançar
Os braços te envolvem, querem te abraçar
Rituais de conquista, feitiço sem cura

Ludibriosa luz, lânguida luxúria
Lume do lado lúgubre do luar
Linda labareda, laço letal
Louca lição da libido a te lapidar

O beijo, úmido e suave, te faz paralisar
Os seios insinuantes, que tocam seu peito, te enlouquecem
Impossível tentar resistir...
Não tens mais alma, não mais podes sonhar
Agora tens uma dona, cujos lábios doces te entorpecem
É o que ainda podes sentir...

Sábia sibila, soturna serpente
Sereia que suga do sangue o sagrado sabor
Sorriso sagaz, sereno soluço
Sonho de seda e silêncio que singra o suor

Estás dominado, te tornaste submisso
És agora apenas um pequeno troféu
Não tiveste escolha, cedeste ao feitiço
O prazer foi amargo, teve gosto de fel

Ludibriosa sibila, lânguida serpente
Lúgubre lume que suga o sabor do sangrar
Lindo sorriso, laço sereno
Sonho de seda e libido a silenciar.

(*) Texto inspirado na personagem Kaori, de Giulia Moon.