sexta-feira, 20 de maio de 2011

CD Review: Nazareth - Big Dogz

CD Review: Nazareth - Big Dogz (by Ricardo Guilherme)

Never judge a book by its cover”, i.e. "Never judge a person by his appearance." Or if you prefer, "appearances can be deceiving." Whatever term you prefer to use, the life experience of a fan of Band Nazareth has certainly shown that this is a wise thought.

Now I will say something a little different: never judge an album by its cover. This goes 100% when it comes to Big Dogz, the 22nd studio album of these friendly and competent Scots. The image brought on the album cover (a kind of angry four-headed Scooby-Doo) will, in principle, give you the impression of a clumsy and ferocious piece of work, made for those who do not really care about lyrics, harmonies and melodies, but, rather about power decibels.

Sheer mistake. Nazareth has always been a very versatile band, which, while admittedly very keen on hard rock, has walked through several musical styles during their career. However, the group has never been into blues as much as in Big Dogz.

Relax, this is not a bad thing!

Yes, there are hard rock songs, such as the funny No Mean Monster and the explosives Watch Your Back and The Toast, but what really pleases in the album is the beauty of the arrangements and the interpretation of the musicians, especially the voice (increasingly hoarser) of Mr. Dan McCafferty, who, at 64, is still impressive.

When we hear No Mean Monster, indeed, it is impossible not to imagine the monster to which the song refers (Fred, used on the cover of album No Mean City, 1979) dancing awkwardly across the city streets, scaring some and amusing others, right in the style of Michael Jackson’s Thriller. This is a track to hear at full volume and enjoy a lot. Watch Your Back has small solos reminiscent of the blues as well, but at a fast pace in a rather rock’n’roll atmosphere. Also, with a very nice swing to it.

Sleeptalker also starts out pretty hectic, but from a certain point, the rhythm changes. That's where the exquisite work of Jimmy Murrison comes in and also in the production of Yann Rouiller. Psychedelic guitar solos put you in the mood of the music. You feel like the actual guy who talks in his sleep, and travels in his dreams and nightmares, hearing voices that overlap between sleep and wakefulness. It's the track that closes the album. And it does so with plenty of class.

In Big Dogz, Dan McCafferty no longer abuses of his vocal range, but shows having developed new skills. Now he sings less with his voice and more with his soul, quite in a blues style. In When Jesus Comes In To Save The World Again "and "Butterfly” Dan moves us with riveting performances. Axl Rose really knew how to choose a good idol.

The talent of the other musicians is also present, although the highlight is downright McCafferty. His friend Pete Agnew shows a nice rapport with the bass on several songs, especially the opening track Big Dogz Gonna Howl. He also stands out on the backing vocals, along with his son, Lee, and guitar player, Jimmy Murrison. Actually, Murrison, bears the burden of replacing great guitar players, but he has done a very mature work here, saving no efforts in technique, not only with his instrument, but also in co-producing the album.

It's hard to say how far Dan and Pete will be going on the road. The co-production, delivered to Jimmy, and the songwriting, all credited to Lee on the label's website (Edel Records), gives us the impression that the veterans intend to convey to beginners the "brand" Nazareth in the near future. We can only hope that when they do so, their replacements meet up to their standards, which will be no easy task.

Another interesting thing: it is hard to believe that the still young drummer Lee Agnew has really made all the songs by himself. The lyrics of some of them require a lot of maturity (in life) and refer to a clear nostalgia, such as the potential success of Radio. Dan and Pete must actually have participated in the compositions. They are just giving up their authorship. As well as opening the gates of Nazareth for the arrival of their second generation.

It's one more studio album by a live rock legend, which already has nearly half a century on the road. You simply cannot let it go unnoticed.

Five stars!


Track List:

Big Dogz Gonna Howl
Claimed
No Mean Monster
When Jesus Comes To Save The World Again
Radio
Time and Tide
Lifeboat
The Toast
Watch Your Back
Butterfly
Sleeptalker


(Translated into English by Luciana Gomes:  lutgomes@terra.com.br )

Lançamento: Space Opera - Antologia de Ficção Científica!

Capitão, capitão! Uma mensagem está chegando do espaço!

O quê? Tem certeza, tenente?

Por incrível que pareça, sim!

Aumente o sinal! Ponha na tela!

Estou tentando...

Rápido, tenente!

...

Decodificando...

...

Na tela, capitão!

...

Atenção, Povo da Terra!

Dia 04 de junho ocorrerá o lançamento de Space Opera - Odisseias Fantásticas Além da Fronteira Final. Trata-se de uma coletânea de contos de Ficção Científica, organizada por Hugo Vera e Larissa Caruso, e que será publicada pela Editora Draco.   

...

Como assim? É só isso, tenente? Quem é esse tal de Hugo Vera? 

Sinto muito, capitão. Só recebemos essa pequena mensagem.

Consiga mais informações sobre esse lançamento, tenente. E rápido! Sou fã de FC e não quero perdê-lo de jeito nenhum!!!

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De acordo com o site oficial da antologia, Space Opera é um subgênero da Ficção Científica que destaca aventuras espaciais e planetárias, utilizando-se muitas vezes de cenários exóticos e personagens heróicos, em histórias regadas com muito drama, ação e conflitos pessoais ( http://www.spaceopera.com.br/?p=1684 ).

O lançamento ocorrerá na Martins Martins, uma livraria que fica no número 509 da Avenida Paulista (bem em frente ao metrô Brigadeiro).

O evento começará às 15 horas e muitos dos autores que participam da coletânea estarão presentes, não apenas para uma tarde de autógrafos, mas também para um bate papo gostoso com os fãs.

A literatura fantástica no Brasil tem crescido bastante nos últimos anos. Space Opera é mais uma prova disso. E também do talento e da criatividade dos autores nacionais!

Autores que participam da antologia:
  • Gerson Lodi-Ribeiro
  • Clinton Davisson
  • Maria Helena Bandeira
  • Jorge Luiz Calife
  • Letícia Velásquez,
  • Marcelo Jacinto Ribeiro
  • Flávio Medeiros Jr.
  • Larissa Caruso
  • Hugo Vera
Book Trailer do livro:


domingo, 15 de maio de 2011

Resenha de CD: Nazareth - Big Dogz


Resenha de CD: Nazareth - Big Dogz (por Ricardo Guilherme)

Nunca julgue uma pessoa por sua aparência”. Ou, se você preferir, “as aparências enganam”. Seja qual for a frase de sua preferência, a experiência de vida de um fã da banda Nazareth certamente já lhe mostrou que esse é um pensamento sábio.

Agora lhe digo algo um pouco diferente: nunca julgue um álbum por sua capa. Isso vale 100% quando o assunto é Big Dogz, o 22º álbum de estúdio destes simpáticos e competentes escoceses. A imagem trazida na capa (uma espécie de Scooby-Doo zangado, com quatro cabeças) transmite, a princípio, a impressão de um trabalho tosco e feroz, feito para aqueles que não se importam muito com letras, harmonias e melodias, mas sim com decibéis de potência.

Ledo engano. O Nazareth sempre foi uma banda muito versátil, que, embora reconhecidamente adepta do hard rock, passeou por vários estilos musicais durante sua carreira. No entanto, o grupo nunca foi tão blues como em Big Dogz.

Calma, isso não é ruim!

Sim, existem músicas pesadas, como a engraçada No Mean Monster e as explosivas Watch Your Back e The Toast, mas o que realmente encanta no álbum é a beleza dos arranjos e a interpretação dos músicos, sobretudo a voz (cada vez mais rouca) do senhor Dan McCafferty, que, aos 64 anos, ainda impressiona.

Ao ouvir No Mean Monster, aliás, é impossível não imaginar o monstro a que se refere a música (Fred, usado na capa do álbum No Mean City, de 1979) dançando desajeitadamente pelas ruas da cidade, assustando alguns e divertindo outros, bem no estilo Thriller (Michael Jackson). Essa é uma faixa para se ouvir no último volume e curtir bastante. Watch Your Bach tem pequenos solos que lembram também o blues, porém em ritmo acelerado, num ambiente bem rock 'n' roll. Muito balançada também.

Sleeptalker começa também bastante agitada, mas, a partir de um determinado momento, o ritmo muda. É aí que entra o trabalho primoroso de Jimmy Murrison e também da produção de Yann Rouiller. Solos psicodélicos de guitarra colocam você no clima da música. Você se sente como o próprio cara que fala dormindo, e viaja em seus sonhos e pesadelos, ouvindo vozes que se confundem entre o sono e a vigília. É a faixa que encerra o álbum. E o faz com muita elegância.

Em Big Dogz, Dan já não usa tanto sua extensão vocal, mas mostra ter desenvolvido novas habilidades. Agora, ele canta menos com a voz e mais com a alma, bem ao estilo blues. Em When Jesus Comes To Save The World Again e Butterfly, Dan nos emociona com interpretações marcantes. Axl Rose soube realmente escolher um bom ídolo.


O talento dos outros músicos também se faz presente, embora o grande destaque seja mesmo McCafferty. Seu amigo Pete Agnew mostra um belo entrosamento com o baixo em várias músicas, especialmente na faixa de abertura Big Dogz Gonna Howl. Também se destaca nos backing vocals, ao lado de seu filho Lee e do guitarrista Jimmy Murrison. Murrison, aliás, carrega o peso de substituir ótimos guitarristas, mas fez aqui um trabalho muito maduro, esbanjando técnica, não apenas com seu instrumento, mas também na co-produção do álbum.

É difícil dizer até quando Dan e Pete continuarão na estrada. A co-produção, entregue a Jimmy, e as composições, todas creditadas a Lee no site da gravadora (Edel Records), dão a impressão de que os veteranos pretendem transmitir em breve aos novatos a “marca” Nazareth. Só nos resta torcer para que, quando o fizerem, deixem substitutos à altura, o que não será nada fácil.

Outra coisa interessante: é difícil acreditar que o [ainda jovem] baterista Lee Agnew tenha realmente composto todas as músicas sozinho. As letras de algumas delas exigem muita maturidade (de vida) e remetem a um claro saudosismo, como o sucesso em potencial Radio. Dan e Pete devem, sim, ter participado das composições. Estão apenas abrindo mão das autorias. E também as portas do Nazareth para a chegada de sua segunda geração.

Big Dogz deve ser lançado no Brasil nos próximos dias. Ao menos, já consta no site da Hellion Records como CD nacional.

É mais um álbum de estúdio de uma lenda viva do rock, que já possui quase meio século de estrada. Você pode gostar ou não. Só não dá para deixar passar em branco.

Cinco estrelas!

Track List:

Big Dogz Gonna Howl
Claimed
No Mean Monster
When Jesus Comes To Save The World Again
Radio
Time and Tide
Lifeboat
The Toast
Watch Your Back
Butterfly
Sleeptalker

domingo, 8 de maio de 2011

Dom Casmurro e os Discos Voadores

(Obra "Dom Casmurro e os Discos Voadores; por Machado de Assis e Lúcio Manfredi; Editora Lua de Papel; Capa: Retina 78)

Estava muito curioso para ler esse livro. Por outro lado, tinha lá minhas dúvidas se a obra seria do meu agrado. Preocupava-me bastante a questão da originalidade. Eu achava que o livro poderia me parecer pouco criativo e muito pretensioso, por ter se baseado numa obra considerada por muitos o maior clássico da literatura nacional.

Felizmente, eu estava enganado. Dom Casmurro e os Discos Voadores é um livro escrito com a sagacidade de Capitu. Tem um ritmo célere, ágil, que cativa e quase não permite uma mera interrupção da leitura. O romance original ganhou elementos novos, relacionados ao universo fantástico. A narrativa é bem menos densa que no clássico machadiano, mas consegue ser leve sem sucumbir à superficialidade.

A obra foi catalogada como ficção juvenil, mas me parece que pode ser vista,
lato sensu, como ficção científica. De qualquer maneira, é diversão garantida não apenas para os mais jovens, mas também para o leitor adulto.

Tomando por empréstimo os superlativos do agregado José Dias, digo que Dom Casmurro e os Discos Voadores é “recomendadíssimo” para quem busca uma leitura rápida e interessante. Machado (que talvez não fosse humano!) certamente aprovaria.