segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Criatura da Noite (*)

Criatura da noite, doce e ardilosa,
Assusta e atrai, acalma e atiça
Corpo delgado, lábios de carmim
Em disfarce de gueixa, pura e formosa
Conquista e apraz, encanta e enfeitiça
Curvas perfeitas, caninos de marfim

Olhos que brilham, no escuro da noite
Atraem a presa, iluminam o luar
Doce perfume prenuncia o açoite
Incenso felino que paira no ar

Mãos delicadas, pequena cintura
Quadris que se movem, convidam a dançar
Os braços te envolvem, querem te abraçar
Rituais de conquista, feitiço sem cura

Ludibriosa luz, lânguida luxúria
Lume do lado lúgubre do luar
Linda labareda, laço letal
Louca lição da libido a te lapidar

O beijo, úmido e suave, te faz paralisar
Os seios insinuantes, que tocam seu peito, te enlouquecem
Impossível tentar resistir...
Não tens mais alma, não mais podes sonhar
Agora tens uma dona, cujos lábios doces te entorpecem
É o que ainda podes sentir...

Sábia sibila, soturna serpente
Sereia que suga do sangue o sagrado sabor
Sorriso sagaz, sereno soluço
Sonho de seda e silêncio que singra o suor

Estás dominado, te tornaste submisso
És agora apenas um pequeno troféu
Não tiveste escolha, cedeste ao feitiço
O prazer foi amargo, teve gosto de fel

Ludibriosa sibila, lânguida serpente
Lúgubre lume que suga o sabor do sangrar
Lindo sorriso, laço sereno
Sonho de seda e libido a silenciar.

(*) Texto inspirado na personagem Kaori, de Giulia Moon.

sábado, 30 de julho de 2011

Zonzóbulos e Diademas: A Vitória da Bondade e da Inocência

Cheguei do cinema há alguns minutos, imaginando a alegria de J. K. Rowling com o sucesso que sua saga alcançou no mundo inteiro, não apenas no universo de jovens e adolescentes, mas também entre muitos velhinhos (como eu!).

Adoro essa saga. Já tinha lido todos os livros da série e assistido aos sete primeiros filmes. Não tive como conter a ansiedade e esperar o último longa de Harry Potter estrear em DVD. Simplesmente precisei ir hoje ao cinema assistir ao Relíquias da Morte Parte II. E a experiência de assistir a esse filme no meio de tantos fãs emocionados, das mais diferentes idades, foi simplesmente fantástica!

É incrível como a velha fórmula da luta do bem contra o mal ainda pode render verdadeiras obras-primas, como são os livros desta série, assim como suas versões cinematográficas. J. K. Rowling criou todo um universo, com personagens marcantes que cresceram juntos, todos estudando (ou lecionando) numa escola apaixonante [quem mais poderia inventar um jogo tão incrível como o quadribol?]. Achei muito bacana como a autora evoluiu desde o primeiro livro, pequenino e com um bocado de erros gramaticais (mas, ainda assim, cativante) até os últimos volumes. Conhecer os novos personagens que surgiram e ver a complexidade dos conflitos aumentar foi emocionante. E sentir a capacidade de caprichar nos detalhes que aos poucos aflorou na escritora, mostrando seu amadurecimento na arte de escrever (livro após livro, página após página), foi também muito bacana.

Algumas pessoas costumam criticar as versões cinematográficas de livros famosos. Acho que é preciso ter muito cuidado ao fazer isso: são artes diferentes, a da escrita e a do cinema. Escrever um livro é um trabalho solitário, introspectivo, de pura inspiração. É um trabalho e tanto para uma pessoa só, não há dúvida, mas a arte de fazer a versão para a telona também tem o seu encanto. Os personagens e os cenários ganham vida e ficam parecendo mais próximos da nossa realidade. E o trabalho cinematográfico envolve um verdadeiro batalhão de pessoas abnegadas - muitas delas fãs verdadeiras da obra escrita - que se dedicam de corpo e alma ao que fazem. Para mim, a saga Harry Potter foi muito feliz desde o seu início. É é arrebatadora tanto em sua versão escrita quanto na cinematográfica.

Harry Potter, Hermione e Rony formam um trio fenomenal. Mas não são só eles; há muitos outros personagens cativantes. Apenas para citar alguns exemplos: a ruivinha Gina, sempre tão simpática e apaixonada; o professor Severo, um bom caráter bem camuflado (normalmente o que vemos na vida real é o contrário), que sofreu tanto por amor e, por amor, protegeu Harry à sua maneira; o sábio professor Dumbledore; Hagrid, homem forte e assustador, mas ao mesmo tempo tão sensível...

Porém, hoje quero falar sobre dois personagens em especial, que sempre estiveram numa espécie de segundo batalhão, mas que roubaram a cena no último episódio: Luna Lovegood, a doce e pacífica loirinha da Corvinal, que parece maluca, mas, na verdade, é uma das figuras mais observadoras e inteligentes de Hogwarts, e Neville Longbottom, garotinho atrapalhado que, durante a saga, cresceu muito fisicamente, mas, sobretudo, em coragem, e acabou se tornando um dos maiores heróis da vitória sobre Voldemort (sim, agora podemos nomeá-lo!).  Acho que Luna e Neville até ofuscaram um pouco Hermione e Rony no último episódio. Mas só um pouco, porque esses dois foram fantásticos do início ao fim da trama (como esquecer do momento em que se conheceram no Expresso de Hogwarts, no episódio 1?). Além disso, formam um belíssimo casal! Aliás, Luna e Neville também formariam um belo casal, não acham? Não me lembro de nada no livro que indicasse um romance entre eles, mas, nesse último longa, Neville (personagem que completa 31 anos hoje!) bem que tentou, mas parece que eles não chegaram a namorar. Uma pena!

Bem, o fato é que jamais esquecerei dessa saga. Aliás, vou começar a reler os livros da série ainda hoje. E não tenho vergonha de dizer que chorei quando vi Lupin e Tonks mortos, apesar dos meus 43 anos de idade (e de já saber que isso aconteceria). Mas não fui só eu a chorar no cinema. Isso significa que J. K. Rowling conseguiu fazer com que nos afeiçoássemos a seus personagens e que aqueles que trabalharam no filme souberam transportar essa emoção para a telona. Primorosos trabalhos.

Hoje fui ao cinema só, mas gostaria de ter um(a) filho(a) para levar comigo e compartilhar com ele(a) essa emoção. Esse é o único ponto negativo da experiência maravilhosa que foi acompanhar Harry Potter e seus amigos há tantos anos - não ter um(a) filho(a) para compartilhar as emoções dos livros e dos filmes. Quem sabe algum dia, numa reprise...


ADENDO - 31.07: A escritora J. K. Rowling faz aniversário hoje! Conheçam um pouco mais sobre ela no blog da minha amiga This: http://canto-e-conto.blogspot.com/2011/07/3107-aniversario-de-jk-rowling-harry.html

sábado, 9 de julho de 2011

Nazareth voltará ao Brasil em novembro

(Cartoon divulgado no site oficial da banda. Não creditei o nome do autor, pois não encontrei essa informação)

Os escoceses do Nazareth estarão de volta ao Brasil em novembro de 2011, para fazer o lançamento oficial em terras tupiniquins do novo álbum Big Dogz. Confira as datas e locais já divulgados no site oficial da banda:
  • 11 de novembro - Santa Maria;
  • 12 de novembro - Passo Fundo;
  • 14 de novembro - Chapecó;
  • 18 de novembro - Curitba;
  • 19 de novembro - Blumenau

Abaixo, alguns vídeos da banda encontrados no youtube:
  • Love Hurts (1976) - maior sucesso do grupo, é uma regravação do clássico dos Everly Brothers;
  • Love Leads To Madness (1982) - grande sucesso da trilha sonora da novela Sol de Verão;
  • Where Are You Now (1983) - um dos maiores sucessos da banda;
  • Dream On (1982) - outro grande sucesso do Nazareth.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Lançamento: Space Opera - Antologia de Ficção Científica!

Capitão, capitão! Uma mensagem está chegando do espaço!

O quê? Tem certeza, tenente?

Por incrível que pareça, sim!

Aumente o sinal! Ponha na tela!

Estou tentando...

Rápido, tenente!

...

Decodificando...

...

Na tela, capitão!

...

Atenção, Povo da Terra!

Dia 04 de junho ocorrerá o lançamento de Space Opera - Odisseias Fantásticas Além da Fronteira Final. Trata-se de uma coletânea de contos de Ficção Científica, organizada por Hugo Vera e Larissa Caruso, e que será publicada pela Editora Draco.   

...

Como assim? É só isso, tenente? Quem é esse tal de Hugo Vera? 

Sinto muito, capitão. Só recebemos essa pequena mensagem.

Consiga mais informações sobre esse lançamento, tenente. E rápido! Sou fã de FC e não quero perdê-lo de jeito nenhum!!!

...

...

De acordo com o site oficial da antologia, Space Opera é um subgênero da Ficção Científica que destaca aventuras espaciais e planetárias, utilizando-se muitas vezes de cenários exóticos e personagens heróicos, em histórias regadas com muito drama, ação e conflitos pessoais ( http://www.spaceopera.com.br/?p=1684 ).

O lançamento ocorrerá na Martins Martins, uma livraria que fica no número 509 da Avenida Paulista (bem em frente ao metrô Brigadeiro).

O evento começará às 15 horas e muitos dos autores que participam da coletânea estarão presentes, não apenas para uma tarde de autógrafos, mas também para um bate papo gostoso com os fãs.

A literatura fantástica no Brasil tem crescido bastante nos últimos anos. Space Opera é mais uma prova disso. E também do talento e da criatividade dos autores nacionais!

Autores que participam da antologia:
  • Gerson Lodi-Ribeiro
  • Clinton Davisson
  • Maria Helena Bandeira
  • Jorge Luiz Calife
  • Letícia Velásquez,
  • Marcelo Jacinto Ribeiro
  • Flávio Medeiros Jr.
  • Larissa Caruso
  • Hugo Vera
Book Trailer do livro:


domingo, 15 de maio de 2011

Resenha de CD: Nazareth - Big Dogz


Resenha de CD: Nazareth - Big Dogz (por Ricardo Guilherme)

Nunca julgue uma pessoa por sua aparência”. Ou, se você preferir, “as aparências enganam”. Seja qual for a frase de sua preferência, a experiência de vida de um fã da banda Nazareth certamente já lhe mostrou que esse é um pensamento sábio.

Agora lhe digo algo um pouco diferente: nunca julgue um álbum por sua capa. Isso vale 100% quando o assunto é Big Dogz, o 22º álbum de estúdio destes simpáticos e competentes escoceses. A imagem trazida na capa (uma espécie de Scooby-Doo zangado, com quatro cabeças) transmite, a princípio, a impressão de um trabalho tosco e feroz, feito para aqueles que não se importam muito com letras, harmonias e melodias, mas sim com decibéis de potência.

Ledo engano. O Nazareth sempre foi uma banda muito versátil, que, embora reconhecidamente adepta do hard rock, passeou por vários estilos musicais durante sua carreira. No entanto, o grupo nunca foi tão blues como em Big Dogz.

Calma, isso não é ruim!

Sim, existem músicas pesadas, como a engraçada No Mean Monster e as explosivas Watch Your Back e The Toast, mas o que realmente encanta no álbum é a beleza dos arranjos e a interpretação dos músicos, sobretudo a voz (cada vez mais rouca) do senhor Dan McCafferty, que, aos 64 anos, ainda impressiona.

Ao ouvir No Mean Monster, aliás, é impossível não imaginar o monstro a que se refere a música (Fred, usado na capa do álbum No Mean City, de 1979) dançando desajeitadamente pelas ruas da cidade, assustando alguns e divertindo outros, bem no estilo Thriller (Michael Jackson). Essa é uma faixa para se ouvir no último volume e curtir bastante. Watch Your Bach tem pequenos solos que lembram também o blues, porém em ritmo acelerado, num ambiente bem rock 'n' roll. Muito balançada também.

Sleeptalker começa também bastante agitada, mas, a partir de um determinado momento, o ritmo muda. É aí que entra o trabalho primoroso de Jimmy Murrison e também da produção de Yann Rouiller. Solos psicodélicos de guitarra colocam você no clima da música. Você se sente como o próprio cara que fala dormindo, e viaja em seus sonhos e pesadelos, ouvindo vozes que se confundem entre o sono e a vigília. É a faixa que encerra o álbum. E o faz com muita elegância.

Em Big Dogz, Dan já não usa tanto sua extensão vocal, mas mostra ter desenvolvido novas habilidades. Agora, ele canta menos com a voz e mais com a alma, bem ao estilo blues. Em When Jesus Comes To Save The World Again e Butterfly, Dan nos emociona com interpretações marcantes. Axl Rose soube realmente escolher um bom ídolo.


O talento dos outros músicos também se faz presente, embora o grande destaque seja mesmo McCafferty. Seu amigo Pete Agnew mostra um belo entrosamento com o baixo em várias músicas, especialmente na faixa de abertura Big Dogz Gonna Howl. Também se destaca nos backing vocals, ao lado de seu filho Lee e do guitarrista Jimmy Murrison. Murrison, aliás, carrega o peso de substituir ótimos guitarristas, mas fez aqui um trabalho muito maduro, esbanjando técnica, não apenas com seu instrumento, mas também na co-produção do álbum.

É difícil dizer até quando Dan e Pete continuarão na estrada. A co-produção, entregue a Jimmy, e as composições, todas creditadas a Lee no site da gravadora (Edel Records), dão a impressão de que os veteranos pretendem transmitir em breve aos novatos a “marca” Nazareth. Só nos resta torcer para que, quando o fizerem, deixem substitutos à altura, o que não será nada fácil.

Outra coisa interessante: é difícil acreditar que o [ainda jovem] baterista Lee Agnew tenha realmente composto todas as músicas sozinho. As letras de algumas delas exigem muita maturidade (de vida) e remetem a um claro saudosismo, como o sucesso em potencial Radio. Dan e Pete devem, sim, ter participado das composições. Estão apenas abrindo mão das autorias. E também as portas do Nazareth para a chegada de sua segunda geração.

Big Dogz deve ser lançado no Brasil nos próximos dias. Ao menos, já consta no site da Hellion Records como CD nacional.

É mais um álbum de estúdio de uma lenda viva do rock, que já possui quase meio século de estrada. Você pode gostar ou não. Só não dá para deixar passar em branco.

Cinco estrelas!

Track List:

Big Dogz Gonna Howl
Claimed
No Mean Monster
When Jesus Comes To Save The World Again
Radio
Time and Tide
Lifeboat
The Toast
Watch Your Back
Butterfly
Sleeptalker

domingo, 8 de maio de 2011

Dom Casmurro e os Discos Voadores

(Obra "Dom Casmurro e os Discos Voadores; por Machado de Assis e Lúcio Manfredi; Editora Lua de Papel; Capa: Retina 78)

Estava muito curioso para ler esse livro. Por outro lado, tinha lá minhas dúvidas se a obra seria do meu agrado. Preocupava-me bastante a questão da originalidade. Eu achava que o livro poderia me parecer pouco criativo e muito pretensioso, por ter se baseado numa obra considerada por muitos o maior clássico da literatura nacional.

Felizmente, eu estava enganado. Dom Casmurro e os Discos Voadores é um livro escrito com a sagacidade de Capitu. Tem um ritmo célere, ágil, que cativa e quase não permite uma mera interrupção da leitura. O romance original ganhou elementos novos, relacionados ao universo fantástico. A narrativa é bem menos densa que no clássico machadiano, mas consegue ser leve sem sucumbir à superficialidade.

A obra foi catalogada como ficção juvenil, mas me parece que pode ser vista,
lato sensu, como ficção científica. De qualquer maneira, é diversão garantida não apenas para os mais jovens, mas também para o leitor adulto.

Tomando por empréstimo os superlativos do agregado José Dias, digo que Dom Casmurro e os Discos Voadores é “recomendadíssimo” para quem busca uma leitura rápida e interessante. Machado (que talvez não fosse humano!) certamente aprovaria.